Campinas/SP - Terça, 25 de abril de 2017 Agência de Notícias e Editora Comunicativa Ltda.  
 
 
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ENSAIOS FOTOGRÁFICOS

ENSAIO: MODIGLIANI E EU

Veja o ensaio

A paixão pela pintura começou muito cedo. Guardo na lembrança, inúmeras cenas de infância, onde estou entre tintas, pincéis e lápis de cor. Costumo dizer que é um dom, pois acredito em aptidões inatas, mas creio que qualquer pessoa, ao se colocar na posição de aprendiz disciplinado, pode desenvolver potencialidades até então adormecidas.

Sempre pintei entre intervalos de tempo muito longos. Os quadros em lápis e giz de cera datam de 1993; os em guache são do começo deste ano.

A princípio apreciava pintar paisagens, cenas e ambientes urbanos e rurais. Giz e cera, traços livres e firmes, meio ao estilo de Van Gogh, mas sem nenhuma preocupação em tentar reproduzir sua técnica para o papel.

Neste ano, ao iniciar o Mestrado em Artes Visuais na UNICAMP, dediquei-me ao estudo dos fundamentos da pintura: formas e cores, brilhos e contrastes, luzes e sombras... Busquei outros mestres, outros discursos, e ao me deparar com a pintura latino-americana, identifiquei-me com Orozco, Rivera e Siqueiros, que faziam da arte um veículo: arte para o povo, arte que grita, arte que vê e contesta o mundo que recria. O uso de cores puras e fortes traduziam toda a luta e sofrimento de um povo em busca de sua identidade, da liberdade tolhida na noite dos tempos. Seus trabalhos traduziam a pesquisa incessante por materiais mais acessíveis e resistentes à intempérie.

O contato com a obra desses pintores despertou-me a busca por formas alternativas, fazendo com que eu descobrisse o guache, o offset e o couchet. Ao contrário do que se pensa comumente, os guaches, por serem à base de água, são facilmente miscíveis entre si, criando efeitos que não deixam nada a desejar às aquarelas e óleos. O offset e o couchet, em função de sua superfície lisa, permitem que os pincéis deslizem perfeitamente, fazendo com que a pintura flua pelo papel.

Descoberta a técnica, faltava-me a temática. Apesar de apreciar o discurso dos mexicanos, eu me interessava profundamente pelo lado humano, não em seu contexto social, mas individualmente. Nesse ponto, descobri a obra do pintor italiano Amedeo Modigliani, que a partir de então, passou a ser o grande referencial de meu trabalho. Suas formas livres e ousadas, muitas vezes desproporcionais aos olhos dos mais cartesianos, reportaram-me aos desenhos de infância, onde eu não tinha a preocupação em traduzir para papel uma cópia perfeita daquilo que pintava, mas sim, de imprimir ao objeto de estudo, a profundidade de emoções que ele me transmitia naquele momento.

E assim, além de arriscar, já nesse primeiro momento, algumas composições pessoais, repintei muitos de seus quadros, mesclando a paixão pela individualidade humana de Modigliani, com a expressividade dos mexicanos, traduzida por cores quentes e vibrantes. Para ver os desenhos, click no título.


Ana Catarina Passarela, 29 anos, é formada em Ciência da Computação, especialista em Mídia pela Universidade Federal de Santa Catarina e atualmente cursa o mestrado em Artes Visuais na UNICAMP, Campinas/SP.Atua como Designer Gráfico para a Comunicativa.



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