Campinas/SP - Quinta, 13 de agosto de 2020 Agência de Notícias e Editora Comunicativa Ltda.  
 
 
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Revista Cultivar-Págs.14 e 15-Míldio na alface


FOLHAS SOB ATAQUE

Constatado no Brasil na década de 90, o míldio da alface pode ocasionar perdas de 100%. Variedades resistentes a aplicação de fungicidas possibilitam o controle.


A alface (Lactuca sativa L.) destaca-se por ser a principal hortaliça folhosa comercializada no Brasil, com uma área cultivada de aproximadamente 30 mil ha. É responsável pela geração de 150 mil empregos diretos e constitui um agronegócio estimado em R$ 2,1 bilhões/ano. A cultura atinge elevados preços nos meses de verão e proporciona ao produtor alto retorno financeiro. Por tratar-se de uma planta originária de regiões de clima ameno, seu desenvolvimento no período de inverno é maior, o que acarreta o aumento da produção e conseqüente queda de preços. Além dos baixos preços enfrentados pelos produtores nesse período, ainda precisam desafiar outro inimigo devastador: o míldio da alface. Esta doença, ocasionada pelo fungo Bremia lactucae, é considerada a mais limitante da alface no cultivo de inverno. No Brasil, foi constatada pela primeira vez na década de 90 e, desde então, vem causando grandes prejuízos em alface, independentemente do método utilizado para o cultivo, seja em campo aberto (sistema convencional e orgânico) ou sob ambiente protegido (cultivo em solo e hidroponia). Apresenta alto potencial de destruição da lavoura, por exemplo, na Flórida (EUA), produtores chegam a perder 100% de sua produção. As perdas na fase de pós-colheita também podem ser grandes, pois mesmo plantas apresentando poucos propágulos do patógeno, se expostas a condições de alta umidade e baixa temperatura, muito comuns durante o armazenamento, terão sua vida útil drasticamente reduzida.


Provavelmente o patógeno foi introduzido no país através da importação de alface americana proveniente do Chile, Argentina e Califórnia, países nos quais o míldio também acarreta muitos problemas. Além de ser altamente destrutivo, o fungo pode sofrer constantes mutações na natureza, resultando no surgimento de novas raças, capazes de quebrar a resistência genética das variedades comerciais e tomar ineficazes os fungicidas sistêmicos atualmente utilizados.


SINTOMAS DO MÍLDIO

Os sintomas do míldio aparecem inicialmente como lesões amareladas na supefície das folhas, geralmente delimitadas pelas nervuras. Na face inferior correspondente às lesões, observam-se os esporângios e esporangióforos do fungo, que têm o aspecto de um pó esbranquiçado. Com o desenvolvimento da doença e em condições severas de ataque, ocorre a queima e de decomposição dos tecidos infectados. Todas as fases de desenvolvimento da alface podem ser afetadas, desde as mudas até as plantas adultas.


O PARASITA BIOTRO FICO

O fungo é um parasita biotrófico, ou seja, necessita de tecido vivo para infectar e colonizar a planta, porém pode sobreviver em restos de cultura. É disseminado a longas distâncias, principalmente pelo vento e a curtas, por respingos de chuva ou água de irrigação. O homem pode exercer importante papel na disseminação do patógeno através do transporte de material vegetal infectado, mudas contaminadas ou, ainda, carregando propágulos do fungo aderidos às roupas, veículos ou instrumentos de cultivo.


O míldio é uma doença extremamente dependente das condições ambientais. Alta umidade, temperaturas amenas, presença de orvalho e cerração são favoráveis ao desenvolvimento da doença. Por outro lado, alta radiação solar (particularmente o espectro ultravioleta), altas temperaturas e baixa umidade prejudicam a produção e a germinação dos esporos, além da infecção dos tecidos vegetais pelo fungo.


FORMAS DE CONTROLE

O uso de variedades resistentes é atualmente o principal método de controle adotado. Trata-se de uma maneira prática, eficaz e economicamente vantajosa para evitar prejuízos com a doença. As cultivares comerciais que conferem resistência à raça do patógeno que ocorre no Brasil são Raider Plus, do tipo americana, Letícia, do tipo lisa e Locarno, do tipo crespa. Observações em campos de produção indicam que os maiores danos são provocados nas alfaces americana e lisa e, em menor proporção, nas crespas, que apresentam uma maior tolerância.


Apesar desse fungo sofrer constantes mutações permitindo o surgimento de novas raças, ainda não foi observada a quebra da resistência genética das variedades comerciais no Brasil, entretanto, técnicos e produtores devem ficar atentos a essa possibilidade. Além disso, variedades que são resistentes às raças de outros países podem não ser em nossas condições. Existem vários fungicidas registrados para o controle do míldio em alface no Brasil, tanto protetores (de princípios ativos: azoxistrobina, folpete e mancozeb), como o sistêmico fosetil-alumínio, fenamidone e a mistura maneozeb +metalaxil. Para o controle químico ser eficiente, os produtos recomendados devem ser aplicados na dosagem correta, em horário adequado (pela manhã ou no final da tarde; evitando alta radiação solar), os ingredientes ativos devem ser empregados de maneira alternada ou priorizar o uso de misturas de sistémicos e protetores, evitando-se, dessa forma, a indução de formas mutantes do fungo e resistentes aos defensivos.


Práticas culturais como rotação de cultura e incorporação dos restos vegetais infectados com o patágeno, imediatamente após a colheita, são recomendadas como medidas de controle. A irrigação deve ser minimizada e interrompida ao entardecer, pois o excesso de umidade no solo e na planta favorece a esporulação do fungo. A produção de mudas pelo produtor ou viveirista deverá ser feita em locais distantes de áreas de produção de alface, para evitar contaminações com o patógeno. Em função da grande importância da doença e da dificuldade de seu controle, o diagnóstico precoce é de suma importância. Mesmo assim, em caso de suspeita, deve-se imediatamente procurar um profissional especializado, para que medidas adequadas de controle sejam tomadas o mais breve possível.


Fernado César Sala, Liliane De Diana T. Yañez, Cyro Paulino da Costa e Hiroshi Kimati (USP/ESALQ)

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