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são os primeiros resultados auditados após o início da crise mundial, onde o consumidor lida com as divergências de informações que interferem na sua percepção de como a “crise altera o consumo”.
O universo da pesquisa engloba todo o Brasil que possui 44 milhões de domicílios, dos quais 20,9 milhões têm a presença de crianças até 12 anos, 2,3 milhões tem empregada doméstica, 13,4 milhões são independentes, ou seja, possuem pessoas morando sozinhas ou sem filhos e 2,4 milhões de domicílios são de pessoas separadas.
Uma das conclusões da pesquisa revelou que o Brasil é um país que possui consumidores altamente otimistas em relação a sua própria situação econômica mesmo com a crise. Em junho de 2008 95% dos consumidores acreditavam que sua situação econômica era melhor ou igual ao ano anterior, em dezembro de 2008 90% avaliaram sua situação como melhor ou igual e em fevereiro de 2009 77% ainda estimaram sua situação como melhor ou igual ao ano anterior, número que apesar do decréscimo é considerado alto.
Também foi identificada uma volta ao consumo dentro do lar com um aumento de 7,8% no gasto médio com os quesitos alimentação e bebidas dentro do lar contra um aumento de 3,6% no mesmo quesito fora do lar.
Outro dado interessante mostra que a alta dos preços impacta muito mais no consumo do que a crise efetivamente, apontando uma grande suscetibilidade do brasileiro na questão preço, indicando que este consumidor decide suas compras buscando preço/promoção.
TENDÊNCIAS CONSOLIDADAS
A análise da LatinPanel apontou quais tendências de consumo se consolidaram nos últimos anos:
- Houve grandes mudanças populacionais e a atuação das mulheres no mercado de trabalho propiciou aumento da renda domiciliar, maiores necessidades de consumo prático e a ampliação do consumo da cesta de beleza.
- Há um novo papel do homem e da mulher onde categorias de produtos tipicamente masculinas estão sendo consumidas por mulheres e vice-versa, como a cerveja para as mulheres e o consumo de cremes e loções para homens.
- O envelhecimento populacional criou um novo tipo de consumidor que vai mais vezes ao PDV e gasta mais com bens de consumo não duráveis.
- Existem mais pessoas morando sozinhas e as famílias estão menores.
- No Brasil o mercado de alimentos funcionais é uma realidade e o consumo destes produtos, que além da função original de nutrição prometem também ajudar na prevenção e tratamento de doenças, só cresce no país. A penetração no Brasil que em 2005 era de 11,9% aumentou para mais de 20% em 2008 e 55% desses consumidores são da classe A/B.
- Novas posturas do consumidor orientadas a marcas e publicidade mostraram que estes possuem visão de mercado em relação ao que querem e necessitam, resultando numa maior consciência e exigência em 2008, 44% destes consumidores informam-se sobre novos produtos através de comerciais de TV, 59% observam cartazes e anúncios nas ruas e 54% buscam e acompanham informações sobre preço em folhetos de loja (alimento, higiene, limpeza e bebidas).
- Outra tendência destacada é a saudabilidade. Ao serem indagadas sobre este quesito 22% das donas de casa declaram decidir suas compras preocupadas com a saúde e meio ambiente; 72% sempre consultam o prazo de validade; 82% lêem rótulos dos produtos (39% sempre); 59% buscam produtos com baixo teor de gordura e colesterol e 52% verificam as calorias dos produtos. A pesquisa também apontou que o número de donas de casa que estão acima do peso subiu de 42% em 2005 para 48% em 2009.
Também foi destacado que a força da compra é de reposição, o aumento do pensamento verde e a preocupação com o meio ambiente, onde questões ligadas à sustentabilidade/ responsabilidade social ganharam peso, pois 40% das famílias participam algum tipo de ação social e 93% valorizam empresas que praticam programas de responsabilidade social. Outro dado relevante é que 17% das famílias compram Marcas Próprias.
Ficou claro ainda que o consumidor das classes mais baixas C/D/E conquistaram acesso a diferentes bens e serviços, como cartões de crédito, e a bens diferenciados, como celular, computador e automóvel.
O consumidor está multifacetado com acesso a computadores e internet. Atualmente no Brasil 13,0 milhões de domicílios possuem computadores e 9,7 milhões domicílios tem acesso à internet Esses consumidores estão mais conectados, são ávidos por informação e procuram formas de lazer dentro do lar, havendo um aumento na procura por TV por assinatura, banda larga e pelos pacotes combo.
Por fim, com o aumento da renda familiar, ou seja, com o crescimento da massa de renda dos brasileiros através, inclusive, dos incentivos do Governo com os programas de bolsa família estaduais e o programa federal que atende a 11,5 milhões de famílias, detectou-se o fortalecimento do consumo popular.
O CONSUMIDOR E A EMBALAGEM
Dentro do universo das embalagens ficou claro que os consumidores querem embalagens multipacks com preços mais competitivos. A incidência maior dessas embalagens é para as classes mais altas.
A pesquisa detectou ainda que o mercado de embalagens tem grandes oportunidades de crescimento produzindo embalagens voltadas para públicos com baixa renda e infantil e que é muito importante adequar sortimentos, embalagens, serviços e promoções em relação ao tamanho da família do consumidor, ou seja, diferentes públicos necessitam de diferentes embalagens.
Já é expressiva a busca de embalagens menores e monoporções pelos consumidores, principalmente aqueles que têm famílias menores ou independentes e os mais velhos, formando um nicho de negócios para o setor de embalagem.
Foi identificada ainda uma necessidade latente que aponta que 94% do público entrevistado gostaria que as embalagens de alimentos fossem mais fáceis de serem guardadas uma vez abertas. Embalagens maiores e familiares são buscadas por 69% dos domicílios com 3 ou mais familiares e os produtos que mais são consumidos com este tipo de embalagem são: sabão em pó, creme dental, salgadinho, cereal matinal e refrigerante.
A procura por embalagens refil representa um novo conceito de compra. Um exemplo disso é a venda de desodorantes em refis que teve um aumento de 69% no período.
Outro ponto abordado mostra que existe uma grande procura por embalagens diferenciadas com preços que atendam a diferentes camadas populacionais. O sucesso da embalagem econômica de achocolatado lançada recentemente e que já detém 30% de importância nesse mercado é uma prova disso. Outro sucesso é a embalagem pouch que já conquistou 5% do mercado.
A pesquisa dividiu a força da embalagem pelas classes sociais e chegou a uma importante conclusão: para a classe AB o importante é a fidelização e é grande o consumo de embalagens familiares, como a de salgadinhos acima de 100g. Para a classe C o importante é a customização (eu quero, mas preciso pagar em 10 vezes), havendo um aumento do consumo de embalagem roll on, caldos e pasta. Já para a classe D/E o importante é o acesso, (como posso continuar consumindo?).
Ficou claro que cada região do país tem diferentes particularidades e necessitam de diferentes tipos de embalagens. A indústria desse setor ao deter essa informação pode focar a produção de seus produtos visando o atendimento desses públicos e conquistando outros mercados.
No interior de São Paulo, por exemplo, é grande o consumo de água mineral em embalagens de 2 a 5 litros (98%), já na grande São Paulo o destaque fica por conta do consumo de extrato de tomate em embalagem pouch e de temperos em pó, enquanto o sul procura embalagens maiores e inovação.
Diante desse cenário onde o consumidor está cada vez mais complexo e antenado a embalagem deve ter diferenciação, ser inovadora e trazer conceitos diferenciados não esquecendo que o custo-benefício promove acesso e diversifica públicos.
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