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Chega ao fim mais uma temporada dos concertos dominicais gratuitos da ´Série Solistas de Paulínia´. E o último concerto não poderia ser mais especial: os Solistas de Paulínia, grupo residente do Theatro Municipal de Paulínia, recebem o pianista francês Emmanuel Strosser para uma apresentação que marca o lançamento oficial de seu primeiro CD, com a gravação da "Sinfonia Eroica" de Beethoven em arranjo para quarteto piano e cordas. A obra está no programa, juntamente o "Quarteto para piano e cordas em sol menor K.478" de Mozart. O concerto acontece no domingo 12 de Dezembro, às 18 horas.
Grupo formado há quase dez anos, em 2001, os hoje Solistas de Paulínia estão lançando seu primeiro CD, que sai pelo selo Clássicos com apoio da Secretaria de Cultura de Paulínia. Tendo como convidado o pianista francês Emmanuel Strosser, trazem a público uma obra rara: a "Sinfonia Eroica", de Beethoven, em arranjo escrito em 1805 para quarteto com piano e cordas.
O lançamento oficial do CD acontece no próximo concerto da "Série Solistas de Paulínia" – e também o último da temporada 2010 dos Concertos Paulínia –, evento gratuito que acontece no domingo 12 de Dezembro, às 18 horas.
Os Solistas de Paulínia, com Pablo de León, violino, Horário Schaefer, viola, e Roberto Ring, violoncelo, sobem ao palco do Theatro Municipal de Paulínia com o pianista francês Emmanuel Strosser para execução do "Quarteto para piano e cordas em sol menor K.478" de Mozart e do arranjo para quarteto para piano e cordas da "Sinfonia Eroica" de Beethoven.
Espírito heróico – O arranjo para piano, violino, viola e violoncelo da "Sinfonia Eroica", de Beethoven, foi escrito em 1805 por Ferdinand Ries, alemão nascido em Bonn como Beethoven, de quem foi amigo e aluno. Através de pesquisas e de consultas a músicos e musicólogos, o grupo soube da existência desse arranjo e acabou conseguindo, diretamente na Beethoven-Haus, o museu Beethoven em Bonn, cópias das partituras de uma edição original da época do arranjo da "Eroica" para piano e trio de cordas. "Não existe essa partitura à venda, a obra é realmente rara, é pouquíssimo executada no mundo e dela só existe até hoje uma única gravação, feita por um grupo alemão", conta o violoncelista Roberto Ring.
Mais importante do que isso, destaca Ring, é que a "Sinfonia Eroica" é uma obra fundamental na história da Música, simboliza a passagem do Classicismo para o Romantismo. "É uma obra central, e para nós é um privilégio poder estudá-la e gravá-la."
A "3ª Sinfonia (Eroica)" tem aproximadamente 50 minutos de duração e está dividida em quatro movimentos: "Allegro con brio", "Marcia Funebre: Adagio assai", "Scherzo: Allegro vivace" e "Finale: Allegro molto".
Composta em 1803-1804, a obra é emblemática da filiação filosófica de Beethoven a uma nova tendência na cultura europeia que emerge à época da Revolução Francesa. A obra faz alusão aos ideiais da Revolução Francesa – Liberdade, Igualdade e Fraternidade –,cujos ideais Beethoven cultivou desde o ínicio da revolução influenciada pelo Iluminismo. Acrescente-se que ao escrever a obra o compositor a dedicou a Napoleão Bonaparte, que via como como o portador de um novo espírito, o espírito heróico que transformaria a Europa e libertaria a humanidade dos seus grilhões. O título original seria "Sinfonia Bonaparte". Mas, ainda em 1804, foi mudado para "Eroica", quando Napoleão se fez coroar Imperador da França e Beethoven percebeu que ele se tornara um tirano.
Para os que estranham que uma sinfonia para grande orquestra tenha um arranjo para um grupo de câmara, Ring explica que nos séculos 18 e 19, quando não havia ainda discos, rádio e meios de reprodução mecânica de música, era bastante comum a redução de obras orquestrais para pequenos grupos instrumentais. "Era a maneira possível de tornar acessível a públicos mais amplos uma peça musical." Segundo ele, foi exatamente essa a intenção de Ferdinand Ries ao escrever seu arranjo para a "Sinfonia Eroica": a de poder ampliar o alcance da música de seu mestre, Ludwig van Beethoven.
Solistas de Paulínia – O violinista Pablo de León, spalla das orquestras Sinfônica Municipal de São Paulo e Sinfônica Brasileira do Rio de Janeiro, Horácio Schaefer, spalla do naipe das violas da Osesp, e o experiente violoncelista Roberto Ring juntaram-se em 2001 para um concerto no Teatro Oriente, em Santiago do Chile, onde representaram o Brasil na série de concertos internacionais da Fundación Beethoven.
Desde então, consolidaram-se como um dos mais destacados conjuntos de cordas brasileiro, posição conquistada graças a uma agenda das mais intensas – o grupo já ultrapassou a incrível marca de mais de trezentos concertos realizados. Apresentaram-se nas mais importantes salas de concerto do país como o Theatro Municipal de São Paulo, Theatro São Pedro em Porto Alegre, Teatro Nacional em Brasília, Teatro Amazonas em Manaus, Teatro Guaíra em Curitiba, Teatro Santa Isabel no Recife, Sala Cecília Meireles no Rio de Janeiro, Teatro Cultura Artística Itaim em São Paulo e Theatro Municipal de Paulínia.
Nestes nove anos, tocaram com artistas renomados como os pianistas Nelson Ayres, Janis Vakarelis (Grécia), Emmanuel Strosser (França), Roglit Ishay (Israel), Ney Fialkow, Sergio Melardi, Jean-Louis Steuerman, José Feghali e Gilberto Tinetti; os violinistas Ilya Gringolts (Rússia), Isabelle van Keullen (Holanda), Roy Shiloah (Israel), Hagai Shaham (Israel), Régis Pasquier (França) e Cláudio Cruz; os clarinetistas Romain Guyot (França) e Paulo Sérgio Santos; o flautista Antonio Carlos Carrasqueira; e grupos camerísticos internacionais como o Quarteto de Leipzig.
No final de 2008, o conjunto foi destaque na programação Especial de Final de Ano da TV Cultura, com a exibição de cinco de seus concertos gravados em São Paulo.
Em abril de 2010, representou o Brasil nas comemorações do bicentenário da Argentina, no Festival de Ushuaia.
Desde 2009, o conjunto foi adotado como corpo estável pelo Theatro Municipal de Paulínia, onde passou a apresentar uma série regular de concertos, o que demonstra a coerência e seriedade do investimento em cultura da Prefeitura de Paulínia.
Emmanuel Strosser – Nascido em Strasburgo, França, o pianista Emmanuel Strosser iniciou seus estudos musicais, na sua cidade natal, aos 6 anos de idade com Hélène Boschi. Continua seus estudos no Conservatório Nacional Superior de Música de Paris com Jean-Claude Pennetier (piano) e Christian Ivaldi (música de câmara). Foi premiado nestas duas disciplinas por unanimidade antes de ingressar nos cursos de aperfeiçoamento com Leon Fleisher, Dimitri Bashkirov e Maria João Pires. Laureado no concurso internacional de música de câmara de Florença, foi finalista também, em 1991, no concurso Clara Haskil e toca com a Orquestra de Câmara de Lausanne. Strosser é também assistente da classe de Alain Planès no Conservatório Nacional Superior de Música de Paris.
O magnífico entrosamento obtido com seus parceiros de música de câmara e sua compreensão dos textos fazem dele um intérprete freqüentemente solicitado por seus companheiros: Claire Désert, Christian Ivaldi, Jean-François Heisser, Régis Pasquier, Raphaël Oleg, Vladimir Mendelssohn e o quarteto Ysaye.
Ele se apresenta regularmente também como solista, em recital ou com orquestra (Orquestra Filarmônica da Radio-France, Ensemble Orquestral de Paris, Orquestra de Picardie, Orquestra de Câmara de Toulouse) e é convidado nos mais prestigiosos festivais como o Musicades de Lyon, Festival d´ Evian ou ainda o Festival Roque d´Anthéron.
Participou de numerosas gravações, todas elogiadas pela crítica, em especial seu CD dedicado a Mozart, pelo selo Harmonia Mundi e ainda a gravação das Sonatas opus 10 de Beethoven pela qual ganhou o prêmio Choc du Monde de la Musique.
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