|
Houve expressiva desaceleração em relação a janeiro, quando o índice variou positivamente em 0,43%. Em 12 meses, o índice registra alta de 4,92%, muito inferior a resultado apontado em fevereiro de 2011 (6,29%). No acumulado do ano foi registrada queda de 0,69%. A evolução nos dois primeiros meses do ano é favorável e deve auxiliar no processo de evolução mais moderada dos preços ao longo de 2012, principalmente nas categorias de carnes, cereais e leite.
“Esta desaceleração é pontual e não pode ser encarada como tendência para os próximos meses, porque foi provocada por fatos isolados e não persistentes. os resultados dos próximos meses, principalmente março e abril, poderão dar maior previsibilidade para o comportamento de preços para 2012”, afirma Martinho Paiva Moreira, diretor de Economia da APAS.
Os hortifrutigranjeiros In Natura apresentaram queda de 4,19%, com destaque para os preços de frutas (-3,01%), tubérculos (-4,18%) e legumes (-11,75%). Os itens que apresentaram as maiores quedas foram: laranja (-3,44%), banana (-2,97%), batata (-7,40%), alho (-2,92%), tomate (-28,95%) e pimentão (-16,41%). A deflação nos preços dos produtos in natura está relacionada ao período de maior estiagem em fevereiro quando comparado a janeiro. Em fevereiro não foram verificado novas pressões de altas por conta da escassez de chuva, que proporcionou a recomposição dos estoques destes itens.
Os preços dos semielaborados (Carnes, Cereais e Leite) apontaram retração de 2,30% em fevereiro em decorrência, principalmente, da queda de preços de diversas categorias, entre elas: Carnes Bovinas (-6,99%), Carnes Suínas (-6,92%), Aves (-6,62%), Pescados (-3,56%) e Leite (-1,80%). O destaque vai para: alcatra (-13,57%), coxão mole (-9,53%), pernil (-10,90%) costela suína (-4,06%), frango (-6,81%), pescada (-1,84%), cação (-7,81%), leite longa vida (-1,96%). Passado o período de fim de ano, quando os preços das carnes em geral apresentam elevação expressiva devido ao aumento da demanda, os meses seguintes costumam registrar quedas consecutivas, o que deve ocorrer ainda no mês de março.
No caso dos alimentos industrializados, os preços apresentaram queda de 0,60% em fevereiro. As principais quedas foram verificadas em Derivados de Leite (-1,02%), Derivados de Carne (-0,78%), Panificados (-0,23%), Adoçantes (-2,68%) e Massas, Farinhas e Féculas (-2,81%). Os produtos com destaque em queda foram: margarina (-5,19%), queijo mussarela (1,47%), linguiça (-1,58%), salsicha (-1,17%), baguete (-0,90%), açúcar (-2,89%), macarrão (-4,25%) e farinha de trigo (-3,83%). A queda nos preços dos derivados está relacionada à redução nos preços das carnes e do leite.
Os preços das bebidas alcoólicas apresentaram queda de 0,68% diante da queda no preço da cerveja (-0,94%). Do mesmo modo, as bebidas não alcoólicas registram queda de -0,12%, diante da retração em diversos produtos, entre eles, o refrigerante (-0,18%), bebida isotônica (-0,22%), suco de frutas (-1,72%) e água mineral (-2,18%). Mesmo diante de um período onde há aumento da demanda de bebidas em geral, como no Carnaval, houve retração nos preços destas categorias quando comparado com os meses anteriores, já que dezembro e janeiro apresentam elevações expressivas nestes itens.
A elevação de 0,14% foi verificada nos preços dos produtos de limpeza e derivou do aumento no preço do sabão em pó (0,14%), do concentrado de limpeza (2,36%) e do detergente (0,27%). Os artigos de higiene e beleza tiveram alta de 0,29%, motivados pela elevação do preço do sabonete (0,38%), do creme dental (0,92%) e da escova dental (0,91%). O motivo foi o repasse dos reajustes realizados pela indústria devido ao aumento nos preços do petróleo e demais matérias-primas petroquímicas. Nos últimos meses já é verificada desaceleração neste repasse e a tendência é que a variação dos preços seja menor ao longo de 2012.
Isoladamente, as principais quedas em 12 meses ocorreram no preço de laranja (-41,5%), pepino (31,2%), tomate (-31,0%), vagem (-28,9%), pimentão (-22,8%), batata (-12,8%), alho (-11,8%), alface (-11,7%), frango (-10,1%), alcatra (-8,7%), picanha (-6,8%), macarrão (-5,5%) e farinha de trigo (-5,2%).
Na avaliação da inflação desde o Plano Real, por mais um mês consecutivo, a diferença entre os índices acompanhados aumenta. O IPS/APAS apresenta variação acumulada de 117%, o IPC-FIPE tem aumento de 231% e o IPA-FGV tem variação de 428%. Por mais um mês, estes resultados refletem o alto poder de negociação do setor junto aos fornecedores, que auxilia a manutenção dos preços em patamares inferiores aos verificados em outros setores da atividade econômica.
Nota Metodológica
O Índice de Preços dos Supermercados tem como objetivo acompanhar as variações relativas de preços praticados no setor supermercadista ao longo do tempo. O Índice de Preços dos Supermercados é composto por 225 itens pesquisados mensalmente em 5 categorias: i) Semielaborados (Carnes Bovinas, Carnes Suínas, Aves, Pescados, Leite, Cereais); ii) Industrializados (Derivados do Leite, Derivados da Carne, Panificados, Café, Achocolatado em Pó e Chás, Adoçantes, Doces, Biscoitos e Salgadinhos, Óleos, Massas, Farinha e Féculas, Condimentos e Sopa, Enlatados e Conservas, Alimentos prontos,); iii) Produto In Natura (Frutas, Legumes, Tubérculos, Ovos, Verduras); iv) Bebidas (Bebidas Alcoólicas, Bebidas Não Alcoólicas); v) Artigos de Limpeza; vi) Artigos de Higiene e Beleza. Assim, o IPS se apresenta como instrumento útil aos empresários do setor na tomada de decisões com relação a preços e custos dos mais diversos produtos. No que diz respeito à indústria, de maneira análoga, possibilita a tomada de decisão com relação a preços e custos dos produtos destinados aos supermercados. Ao mercado e aos consumidores é útil para a análise da variação de preços ao longo do tempo possibilitando o acompanhamento da evolução dos custos ao consumidor do setor supermercadista.
|
|