Campinas/SP - Sexta, 26 de junho de 2026 Agência de Notícias e Editora Gigo Notícias  
 
 
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PIONEIRO DO JORNALISMO CIENTÍFICO É HOMENAGEADO EM LIVRO  


A AGÊNCIA DE NOTICIAS E EDITORA CLICKNOTICIA assumiu, a partir de 2021 as funções que desde 1996 a Comunicativa atuava no mercado de comunicação com características próprias de Agência de Notícias e Editora. Assim, também como agência e editora, a CLICKNOTICIAS se propõe a levantar informações de interesse jornalístico, na macro região de Campinas, espontaneamente ou por demanda para difundí-las através do site www.clicknoticia.com.br. Como Editora ela coloca à disposição de instituições públicas ou privadas o seu corpo de profissionais para produção de publicações jornalísticas em todas mídias disponíveis. Ao conhecer a empresa e suas necessidades no setor de comunicação, podem ser sugeridas ferramentas através da elaboração de um Plano de Comunicação, incluindo jornal para os funcionários, publicações institucionais ou específicas para os clientes, produção de conteúdo para sites, criação de hubs e sites responsivos, entre outras. Esse trabalho é pautado por critérios profissionais e éticos acim a de tudo. A Comunicativa Assessoria e Consultoria Jornalística foi criada como prestadora de serviços jornalísticos em abril de 1996 em função da demanda de profissionais capacitados para interrelacionar o segmento corporativo e os veículos de comunicação jornalística. Fone/WS: (19) 987-835187 - (19) 99156-6014


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Escreveu as primeiras matérias no país sobre transplante de córnea, sobre um “novo tipo de exame radiológico” batizado de tomografia e sobre o “som que não se ouve, mas que faz diagnóstico” – o ultrassom.

Mas foi ao reportar a realização da primeira cirurgia de ponte de safena para o infarto agudo do miocárdio, em 1970, que Abramczyk ganhou o Prêmio Esso, o principal do jornalismo brasileiro.

Essas e outras histórias estão no livro Médico e Repórter. Meio século de jornalismo científico, lançado pela editora Publifolha e organizado pelo jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva, consultor de Comunicação da FAPESP.

A obra traz uma coletânea de artigos e reportagens publicados por Abramczyk no jornal Folha de S.Paulo, onde ele trabalha desde 1959 e, atualmente, mantém a coluna semanal “Plantão Médico”.

O material está dividido em cinco capítulos temáticos: “Saúde Pública”, “Enfermidades do Coração”, “Saúde Pessoal”, “Doenças de Personalidades” e “Jornalismo Científico”. A apresentação de cada bloco é feita por nomes de destaque do jornalismo científico, como Marcelo Leite, Claudia Collucci, Almyr Gajardoni, Lins da Silva e Célio da Cunha.

“Ao contrário do que todo mundo pensa, eu não fui da medicina para o jornalismo, mas do jornalismo para a medicina”, contou Abramczyk à Agência FAPESP. “Comecei a trabalhar no jornal O Tempo aos 17 anos. Um dia me deu na telha e fui fazer medicina.”

Quando ainda era estudante da Escola Paulista de Medicina – hoje pertencente à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) –, foi convidado por seu ex-chefe de reportagem em O Tempo, Hugo Penteado Teixeira, para assumir a vaga de redator na seção “Biologia e Medicina” da então Folha da Manhã. O posto estava sem um titular havia seis meses.

“Não conseguiram encontrar um médico para assumir a vaga e acabaram aceitando um estudante de medicina. Era uma seção dedicada a publicar notícias para os profissionais da área, sobre congressos e reuniões. Assim como tinha uma seção de Educação dedicada aos professores”, lembrou.

Após a formatura, Abramczyk continuou conciliando a vida atribulada de repórter de jornal diário com a rotina não menos caótica de médico. Especializou-se em cardiologia e foi, durante muitos anos, um dos diretores do Hospital Santa Catarina.

“Não tenho a menor ideia de quantas horas tinha meu dia de trabalho. Quando você faz o que lhe dá prazer, arruma tempo para tudo”, afirmou.

Todos os meses, Abramczyk frequentava pelo menos um congresso das mais diferentes áreas. Semanalmente, visitava os departamentos de Medicina e as bibliotecas das principais universidades paulistas em busca de pautas.

“Era assim que se conseguia a notícia naquele tempo. Não existia internet ou assessoria de imprensa para enviar informações mastigadas. Não se fazia entrevista por telefone. Era pessoalmente e de terno e gravata”, contou.

Vanguarda

Ao longo de 53 anos, publicou mais de 2,5 mil textos no jornal Folha de S.Paulo. Já nos anos 1970, alertou sobre o problema crescente do alcoolismo, os riscos de substituir refeições por lanches rápidos e a importância do leite materno para a saúde infantil.

Por meio de seus textos, ajudou a difundir o recém-descoberto soro caseiro. “Antes disso, a hidratação era feita somente nos hospitais, direto na veia. Havia filas de mães com crianças desidratadas no colo. A mortalidade infantil por desidratação era uma calamidade”, contou.

Em outubro de 1970, publicou um texto em que relatava a descoberta por especialista em saúde pública das causas desse mal: ausência de saneamento básico e água tratada. O assunto havia sido destaque no 18º Congresso Brasileiro de Higiene.

Em 1961, publicou uma reportagem sobre um novo método para caçar vírus na Amazônia: iscas humanas. “(...) os mosquitos são apanhados por uma pessoa que, de braços e pernas descobertas, fica à espera de que os insetos venham picá-la. Antes mesmo de atingir o corpo da isca humana, os mosquitos são apanhados em redomas individuais (...)”, narrou Abramczyk no jornal.

O método de captura permitiu aos pesquisadores isolar 1,5 mil vírus, 22 deles completamente desconhecidos pela ciência. A reportagem rendeu ao médico e repórter o Prêmio Governador do Estado de São Paulo.

Ao longo da carreira, também foi agraciado com o Prêmio José Reis de Divulgação Científica, concedido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e com o Prêmio Abradic de Divulgação Científica, oferecido pela Associação Brasileira de Divulgação Científica.

Presidiu a Associação Ibero-americana de Jornalismo Científico e a Associação Brasileira de Jornalismo Científico, entidade que ajudou a fundar.

“Em diversos congressos, seminários e livros, Abramczyk apresentou sua contribuição, fundamental, para construir um referencial teórico para o jornalismo científico nas Américas e na Península Ibérica”, destacou Lins da Silva na apresentação do livro.

Segundo seu organizador, a obra é de potencial interesse para todos que fazem ou que leem jornalismo científico, além das pessoas que se interessam por temas de medicina e de ciência em geral.

Ao comparar o jornalismo científico feito nas últimas décadas do século 20 com o de hoje, Lins da Silva afirmou que o nível médio dos repórteres da área melhorou em função do maior acesso à informação.

“Mas piorou em relação ao espaço e ao destaque na cobertura jornalística, hoje muito menor. Paradoxalmente, a ciência torna-se cada vez mais importante para o desenvolvimento do país”, disse.

Abramczyk também reclama da falta de valorização do jornalista especializado em ciência pelos gestores da informação e dá a receita para ser um bom repórter da área: “O jornalista não deve apenas divulgar o que fazem os pesquisadores. Deve ter uma visão crítica da importância da ciência para o país e deve ajudar a sensibilizar as autoridades. Ficar do lado de quem luta por mais verbas para a pesquisa”, concluiu.

Médico e Repórter. Meio século de jornalismo científico
Autor: Julio Abramczyk
Lançamento: janeiro de 2013
Preço: R$ 47,90
Páginas: 288
Mais informações http://livraria.folha.com.br/catalogo/1191687/medico-e-reporter#prodLinksInfo
 

 
 
   
   
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