|
Sete filmes do cineasta paulistano foram escolhidos para compor o evento, cuja curadoria são dos produtores do media-metragem. O ciclo Mazzaropi acontece na semana do diretor e é de graça. A data foi escolhida pois o mês de abril fecha o centenário de Mazzaropi, comemorado durante todo o ano de 2012. O cineasta completaria, no dia 9 de abril, 101 anos.
Para compor o ciclo, foram escolhidos os filmes: Sai da frente (1952), Chofer de Praça (1958)- Casinha Pequenina (1963)-Meu Japão Brasileiro (1965)- O Corintiano (1966)- A banda das velhas virgens (1979)- Jeca e a égua milagrosa (1980). Após cada filme, vamos promover um debate com o público, com o objetivo de trazer as pessoas para mais perto de Mazzaropi. Contaremos com a participação do jornalista Tiago Gonçalves, para falar sobre o circo-teatro, meio ambiente e cooperativas, temas presentes na obra de Mazzaropi, nas sessões dos filmes Casinha Pequenina, A Banda das Velhas Virgens e Jeca e a Égua Milagrosa.
O DOCUMENTÁRIO:
O documentário "Mazzaropi: o Jeca empreendedor" é pioneiro- lançado em dezembro de 2012- pois, diferente da maioria, não é biográfico. O filme mostra Amácio Mazzaropi como empreendedor do cinema. O projeto discute como ele, que personificou o típico caipira brasileiro, superou todas as dificuldades de sua época e participou de 32 filmes, tendo produzido 24 deles com recursos próprios, recorrendo à venda de seus bens, como o que fez, por exemplo, para produzir o filme "Chofer de Praça". O documentário de 28 minutos é uma homenagem ao centenário do cineasta das multidões, que ganhou milhões e levou milhares de pessoas ao cinema. Mazzaropi tinha um grande sócio nesse negócio: o público. O documentário foi indicado ao prêmio Bosch/Puc Campinas de Jornalismo, no ano de 2013.
O sucesso de Mazzaropi se justifica pelos números. De acordo com dados da PAM FILMES (Produções Amacio Mazzaropi) foram mais de 160 milhões de espectadores em 30 anos de carreira; 32 filmes; o maior sucesso foi “Casinha Pequenina” (1962), que levou cerca de 8 milhões de espectadores e teve a direção de Glauco Mirko Laureli- que também é entrevistado no documentário. Além disso, Mazzaropi era estratégico, lançava seus filmes em datas as quais São Paulo “parava”, por causa dos feriados (25 de janeiro e 7 de setembro). O media-metragem aborda como cineasta foi empreendedor desde sua época no circo, quando sua família vendeu tudo para montar um pavilhão e viajar com ele pelo interior de São Paulo.
“Mazza”, como é carinhosamente chamado, fez o que ninguém até a época dele havia feito: cuidou da distribuição dos seus filmes, sem interferência estrangeira, se impondo no mercado exibidor. Portanto, o documentário mostra Mazzaropi como empreendedor desde o seu primeiro filme na produtora Vera Cruz, até o último, "Jeca e a Égua Milagrosa", realizado por sua produtora Pam Filmes.
PROCESSO:
“Na verdade o que a gente quer com esse documentário é mudar a indústria. E fizemos isso, de certa forma. Fomos um pouco Mazzaropi, pois produzimos esse filme sem nenhum recurso, nenhum incentivo”, revela um dos produtores Danilo Zanini. “Não tínhamos nem carro para levar a equipe. Mas contamos com muita gente boa para nos ajudar. E, de certa forma, vivenciamos que, para fazer cinema, basta querer fazer”, ressalta a jornalista e uma das produtoras do filme Amanda Cotrim. Para Zanini, o trabalho empenhado no documentário deu certo, pois o filme já foi visto por mais de 200 pessoas, em apenas uma exibição oficial e cerca de 15 caseiras. “E são pessoas de todas as idades que assistem ao filme, ficam surpresas com essa faceta empreendedora de Mazzaropi e saem comentando sobre o cinema brasileiro”, destaca.
A pesquisa para construção do documentário durou cerca de dois anos. O projeto ouviu mais de 50 fontes, entre livros, arquivos, entrevistas e pessoas que conviveram e trabalharam comMazzaropi. O filme traz a participação de grandes nomes do cinema nacional, como José Mojica (Zé do Caixão), Galileu Garcia, Virgílio Roveda e Marly Marley.
Durante o processo de produção descobriu-se que Mazzaropi se destaca por ter sido um grande visionário do cinema brasileiro, pois o mesmo, de acordo com um dos depoimentos do filme, foi o único que conseguiu ser artista e ser empresário. Mazzaropi, para poder distribuir seus filmes por todo o Brasil, enviava fiscais para certificar-se de que o filme seria exibido nos mais modestos cinemas do país.
Outra característica do cineasta é a sua preferência por trabalhar com atores inexperientes, ou, em outras palavras, “os verdinhos do cinema”. O documentário ouve um dos atores de Mazzaropi, que entrou em cena de “supetão”, para substituir outro ator; acabou ficando e se consolidando como artista, conforme seu próprio relato.
O filme exalta a simplicidade dos argumentos de Mazzaropi. E deixa uma questão no ar: Será que, hoje, com a onda do “politicamente correto”, as piadas dele fariam o mesmo sucesso?
Enquanto o público o aclamava, a crítica o destruía. Mas, como afirmou Marly Marley, “não fez falta nenhuma a imprensa não dar cobertura a ele. Pois quem deu cobertura chama-se público!”.
O documentário é uma produção dos jornalistas Amanda Cotrim, Danilo Zanini, Marcelo de Barros, Priscila Souza e Renata Ananinas. As filmagens ocorreram durante o mês de setembro nas cidades de Campinas, São Paulo e Taubaté, município onde Mazzaropi manteve seus estúdios. O documentário foi lançado em dezembro de 2012, como trabalho de conclusão de curso da PUC Campinas e foi contemplado com nota máxima (10).
O trabalho é um resgate de memória, cultura e uma homenagem a Mazzaropi.
Ficha:
Produção: Amanda Cotrim, Danilo Zanini, Marcelo de Barros, Priscila Souza e Renata Ananinas
Trilha sonora: Cristógenes Faria
Edição: Dionny Andrade.
Imagens: UNITAU, Museu Mazzaropi, Cinemateca e PUC Campinas.
Realização: Puc Campinas.
Serviço:
O quê: Ciclo Mazzaropi
Quando: Do dia 8 ao dia 13 de abril de 2013.
Programação:
PROGRAMAÇÃO ESPECIAL
Semana Mazzaropi
Segunda-feira, 08 de Abril – 19h
MAZZAROPI: O JECA EMPREENDEDOR
Produção: Amanda Cotrim, Danilo Zanini, Marcelo de Barros, Priscila
Souza e Renata Ananias
Orientador: Professor Dr. Celso Bodstein
Edição e Arte: Diohny Andrade
O documentário "Mazzaropi: o Jeca empreendedor" resgata a
trajetória de Amácio Mazzaropi enquanto artista, e, sobretudo,
empreendedor da indústria cinematográfica brasileira. O cineasta não
ficava a mercê de empresas estrangeiras. Mazzaropi, através de sua
produtora (PAM Filmes), sem nenhum recurso público, distribuía seu
produto no mercado exibidor, de modo independente. O filme é uma
homenagem ao centenário do cineasta.
Segunda-feira, 08 de Abril – 19h30min
SAI DA FRENTE
Direção de Tom Payne / Abilio Pereira de Almeida
Neste seu primeiro filme, Mazzaropi é Isidoro Colepícula, um humilde
motorista proprietário de um caminhão caindo aos pedaços chamado
Anastácio. Isidoro é contratado para levar uma mudança de São Paulo
até Santos e parte com a caçamba exageradamente lotada de tralhas!
Acompanhado por seu cachorro "Coroné" ele irá aprontar todas as
confusões possíveis envolvendo funcionários públicos, policiais,
motoristas, uma troupe de circo e quem mais aparecer no caminho. SAI
DA FRENTE que lá vem ele!! Brasil, 1952. 80 min.
Sinopse
Terça-feira, 09 de Abril – 19h
CHOFER DE PRAÇA
Direção de Milton Amaral
O humilde Zacarias (Mazzaropi) vai para a cidade grande com sua mulher
para arrumar emprego e ajudar seu filho a pagar os estudos. Seu maior
sonho é ver o filho se formando e, para isto, está disposto a fazer o
possível e o impossível. Eis que surge um trabalho como Chofer de
Praça . Pronto , era tudo o que ele precisava para fazer o público se
borrar de tanto rir com as viagens cheias de trapalhadas deste chofer
do barulho. Próxima parada : diversão e gargalhadas!!!
Brasil, 1959, 95 min.
Quarta-feira, 10 de Abril – 19h
CASINHA PEQUENINA
Direção de Glauco Mirko Laurelli
Este filme, que é considerado a obra-prima da Mazzaropi, traz um
elenco de estrelas e marca a estréia de Tarcísio Meira no cinema. É
uma tocante história sobre a luta contra os poderes corruptos dos
coronéis e um épico que tem como pano de fundo, a libertação dos
escravos no Brasil do século XIX. Interpretações soberbas e imagens
belíssimas em um clássico do cinema nacional, campeão de
bilheteria!Brasil, 1963, 95 min.
Quinta-feira, 11 de Abril – 19h
MEU JAPÃO BRASILEIRO
Direção de Glauco Mirko Laurelli
Em uma comunidade rural nipo-brasileira, Mazzaropi é um agricultor
chamado Fofuca que enfrenta a exploração descarada do " seu " Leão,
responsável por intermediar os negócios entre os produtores e o
comércio na cidade. Após muito penar em suas mãos,ele articula com os
camponeses a formação de uma cooperativa agrícola. Mas seu Leão e seus
filhos não vêem com bons olhos esta iniciativa e vão fazer de tudo
para impedir Fofuca e seus amigos de conseguir se dar bem neste Japão
- Brasileiro. Acompanhe Mazzaropi em mais esta aventura no campo e
colha risadas pela frente!!! Brasil, 1965, 102 min.
Sexta-feira, 12 de Abril – 19h
O CORINTIANO
Direção de Milton Amaral
Mazzaropi é "Seu" Manuel, um barbeiro fanático pelo Corinthians
Paulista, que é capaz das maiores loucuras para torcer pelo seu time
do coração: andar com um burro preto e branco, bater boca com
torcedores de times rivais, fazer promessas malucas, orações,
sofrimento e "xingamentos"na arquibancada. Sorria para valer com este
comediante que agrada a todas as torcidas. Brasil, 1967, 98 min.
Sábado, 13 de Abril – 16h
MAZZAROPI: O JECA EMPREENDEDOR
Produção: Amanda Cotrim, Danilo Zanini, Marcelo de Barros, Priscila
Souza e Renata Ananias
Orientador: Professor Dr. Celso Bodstein
Edição e Arte: Diohny Andrade
O documentário "Mazzaropi: o Jeca empreendedor" resgata a
trajetória de Amácio Mazzaropi enquanto artista, e, sobretudo,
empreendedor da indústria cinematográfica brasileira. O cineasta não
ficava a mercê de empresas estrangeiras. Mazzaropi, através de sua
produtora (PAM Filmes), sem nenhum recurso público, distribuía seu
produto no mercado exibidor, de modo independente. O filme é uma
homenagem ao centenário do cineasta. Apoio: UNITAU, Museu Mazzaropi e
Cinemateca de SP. Realização: PUC Campinas. Brasil, 2012. 20 min.
Sábado, 13 de Abril – 16h30min
A BANDA DAS VELHAS VIRGENS
Direção de Amácio Mazzaropi, Pio Zamuner
O caboclo Gostoso (Mazzaropi) é o maestro de uma banda feminina,
formada unicamente por mulheres idosas e beatas. Orgulho da pequena
cidade, a banda é mantida pelos donativos recolhidos na igreja.
Brasil, 1979, 88 min.
Sábado, 13 de Abril – 19h30min
JECA E A ÉGUA MILAGROSA
Direção de Amácio Mazzaropi / Pio Zamuner
Em plena época de eleição, dois coronéis fazem de tudo para serem
eleitos prefeitos. Os dois têm terreiros de umbanda e candomblé e os
utilizam para manipular e influenciar a população. Um deles possui uma
égua a quem os fiéis atribuem poderes de cura. Os milagres feitos pela
égua correm pela cidade e a coisa piora mesmo quando Raimundo
(Mazzaropi) diante das confusões que cria, é obrigado a casar com a
égua do fazendeiro. Pode??? Só você vendo este sucesso que foi o
último filme do eterno Mazzaropi. Brasil, 1980, 95 min.
Onde: Museu da Imagem e do Som de Campinas- Rua Regente Feijó- Centro.
Quanto: de graça
|
|