| SÃO PAULO PODE TER ÔNIBUS 24 HORAS E SISTEMA DE COMPARTILHAMENTO DE BICICLETAS
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Está em estudo o funcionamento 24 horas dos ônibus em São Paulo, segundo divulgou a diretora de Transporte e Planejamento da Secretaria Municipal de Transportes, Ana Odila de Paiva Souza, durante debate sobre mobilidade urbana, promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Local da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O evento foi realizado no dia 11 de junho, na sede da Federação.
O estudo faz parte de uma série de ações programadas pela SPTrans para tornar o transporte por ônibus mais eficiente e dar mais conforto ao usuário. São quatro pilares utilizados para qualificar o serviço a esse transporte: serviço em rede; estruturação, racionalização e organização do serviço; espaço exclusivo; e gestão operacional.
"Queremos dotar o serviço de ônibus dos atributos de qualidade esperados com disponibilidade e flexibilidade de trajetos, organização, estruturação da rede de serviço, caminhos desobstruídos, regularidade e confiabilidade", contou Ana Souza. Esse é o único modal que está em toda a cidade, sendo responsável por 10,1 milhões de viagens motorizadas diárias na capital de um total de 18 milhões. "Precisamos resgatar o sistema de ônibus da semiclandestinidade na cidade."
A proposta é construir 460 km de corredores de ônibus para os próximos 12 anos com os primeiros 150 km até 2016. Todos os corredores terão ciclovias paralelas ao trajeto e os novos terminais terão bicicletários. "Há um desafio muito grande de gestão do poder público em como integrar os planos de desenvolvimento dos modais e como discutir uma visão de futuro para a cidade que possa dar um sentido para as diferentes ideias e não fique uma colcha de retalhos", disse o presidente do Conselho de Desenvolvimento Local, Jorge Duarte.
A pesquisa Origem-Destino, realizada a cada dez anos pelo Metrô, mostra que o número de viagens por bicicleta triplicou entre 1997 e 2007, de mais de 56 mil para mais de 156 mil. O Superintendente de Planejamento da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Ronaldo Tonobohn, disse que neste ano será implantado uma rede de 60 km de sistema cicloviário (ciclovia, ciclofaixa e ciclorrota) em três áreas da cidade. Serão 17 km no Jardim Brasil (Zona Norte), 31 km no Jardim Helena (Zona Leste) e 12 km no Grajaú (Zona Sul).
A Prefeitura de São Paulo lançará em breve uma campanha de proteção ao ciclista na televisão e rádio. "O objetivo é mostrar à população que a bicicleta é um meio de transporte reconhecido pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e precisa ter seu espaço respeitado", adiantou Tonobohn. A campanha surgiu após uma reunião de representantes de ciclistas com o prefeito Fernando Haddad que pleiteavam mais segurança para quem usa a bicicleta, acesso e participação de órgãos decisórios e mais orçamento para construção de infraestrutura cicloviária.
Ainda segundo a CET, o teste de utilização do Bilhete Único com três postos do sistema de bicicletas compartilhadas se mostrou um sucesso. De 6 a 26 de maio, 18% das retiradas foram realizados por meio do Bilhete Único, sendo 10,2% no Trianon, 19,6% na Santa Cruz e 22% na Eldorado. "O resultado é excelente uma vez que não realizamos divulgação e mostra que há demanda pelo acesso por um meio mais democrático", afirmou Tonobohn.
Para o diretor geral da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), Thiago Benicchio, a bicicleta é uma oportunidade para as cidades resolverem alguns problemas. "Não vai resolver o problema da mobilidade urbana, mas é uma opção que deve ser respeitada por todos os benefícios que ela pode gerar para tornar São Paulo uma cidade para pessoas", completou.
O plano diretor de 2004 previa 367 km de infraestrutura para bicicleta até 2012. Passados oito anos, um novo plano está em debate e nenhum quilômetro prometido foi construído. "Precisamos dar equidade ao uso das vias para todos os modais, principalmente o coletivo, pedestres e ciclistas", acrescentou Benicchio. "As soluções não estão em um único transporte, mas em um conjunto de soluções que possam equilibrar esse caos e pensar de uma forma mais organizada e planejada. Pela complexidade, São Paulo merece ter uma visão mais clara da cidade que se quer para que todos os planos e projetos façam mais sentido", finalizou Duarte.
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