Campinas/SP - Quinta, 24 de setembro de 2020 Agência de Notícias e Editora Comunicativa Ltda.  
 
 
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EMBRAPA CONTINUA À CAÇA AO ´BICHO MINEIRO´  


Desde 2008 a Comunicativa passou a atuar no mercado de comunicação com características próprias de Agência de Notícias e Editora. Como Agência ela se propõe a levantar informações de interesse jornalístico, na macro região de Campinas, espontaneamente ou por demanda para difundí-las através do site www.clicknoticia.com.br. Como Editora ela coloca à disposição de instituições públicas ou privadas o seu corpo de profissionais para produção de publicações jornalísticas nas mídias hoje disponíveis. Ao conhecer a empresa e suas necessidades no setor de comunicação, podem ser sugeridas novas ferramentas através da elaboração de um Plano de Comunicação, incluindo jornal para os funcionários, publicações institucionais ou específicas para os clientes, abastecimento de sites, entre outras. Esse trabalho é pautado pelos critérios técnicos e a ética das notícias e suas conseqüências. A Comunicativa foi criada como prestadora de serviços jornalísticos em abril de 1996 em função da demanda de profissionais capacitados para interrelacionar o segmento corporativo e os veículos de comunicação jornalística. Fones: (19) 3256 4863 / 3256 9059


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18/07/2020 - Mas se depender das pesquisadoras Erika Albuquerque e Juliana Dantas de Almeida, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília-DF), e dos estagiários e bolsistas da equipe delas, os dias desse inimigo da cafeicultura, batizado de bicho-mineiro (Leucoptera coffeella), estão contados. Nem mesmo a pandemia da covid-19 afastou as duas biólogas das idas e vindas ao laboratório, à casa de vegetação e ao experimento de campo, instalado na Embrapa Cerrados (Planaltina-DF), sempre seguindo as normas de distanciamento social da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da própria Embrapa.


Erika e Juliana, em parceria com o pesquisador Adriano Veiga (da Embrapa Cerrados) montaram uma escala com revezamento, de acordo com as atividades do projeto denominado Minercontrol: Identificação de ativos biotecnológicos para o controle efetivo do bicho-mineiro por aplicação tópica de nanossistemas (confira mais detalhes sobre a equipe no final do texto). Assim, elas cumprem à risca o cronograma de trabalho, iniciado em 2019, com recursos do Consórcio Público para o Desenvolvimento do Café (ConCafé), e que tem como objetivo se valer de diferentes abordagens moleculares para gerar ativos (produtos) biotecnológicos para controlar o bicho- mineiro no manejo integrado de cafeeiros.



Até agora, os cientistas não conseguiram deter ou encontrar um produto que acabe com a pequena mariposa branca conhecida como bicho-mineiro, que ainda na fase de lagarta, devora as folhas das plantas jovens dos cafezais.



Máscaras e álcool gel



Na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, a exemplo do que ocorre em toda a Empresa, devido à pandemia da covid-19, os empregados podem optar por uma das modalidades de trabalho: teletrabalho ou revezamento (comparecendo à Unidade em períodos determinados, revezando as atividades com colegas). Juliana Dantas e Erika Albuquerque optaram pelo revezamento: desde o começo do distanciamento social compreenderam que não seria possível concluir a pesquisa sem os trabalhos de campo e laboratório. Isso por conta da responsabilidade de cumprir prazos, da natureza persistente dos biólogos na busca de resultados, e do prejuízo que o inseto causa à cultura cafeeira. Assim, elas não podem cumprir a jornada de oito horas em casa, em segurança, e tampouco paralisaram as atividades do projeto.



A equipe, liderada por Erika Albuquerque, leva a sério o distanciamento. Proximidade, só mesmo com o bicho-mineiro, em todas as fases do inseto, desde quando ainda é larva, passando pela fase adulta e a da reprodução, em armadilhas (espaços específicos onde os bichos são observados), localizadas nas casas de vegetação (ambiente protegido). Por isso, diante do cenário de nenhuma previsão para o novo coronavírus dar trégua à humanidade, as pesquisadoras e seus bolsistas agora têm mais duas ferramentas indispensáveis na rotina de trabalho: máscara e álcool gel.



"Junto com os bolsistas nos esforçamos para que cada um vá, separadamente, fazendo as atividades. Na casa de vegetação é simples porque os estudantes ficam sozinhos. Contamos com uma bolsista que é entomologista e trabalha individualmente, ajudando a manter o projeto em atividade", conta Juliana Dantas. Conforme a pesquisadora, que responde pela parte da solução de inovação realizada nessa pesquisa, logo no começo do projeto foi observada a falta de informações e dados disponíveis sobre o genoma do bicho-mineiro, bem como o ciclo de vida do inseto.


A rara literatura que existe não está disponível à pesquisa. Embora essa ausência de referências bibliográficas seja um fator limitante, acaba por se tornar mais um motivo para não deixar a pesquisa sobre o tema parar, fazendo com que Erika e Juliana incluam em suas atividades em tempos de pandemia a coleta e analise de materiais no campo (como ovos do inseto nas folhas, larvas e as mariposas em fase adulta e novamente um novo ciclo). "A equipe é multidisciplinar. Tudo é novo e gratificante. Tudo que se descobre impacta, especialmente considerando que se trata de uma praga que afeta somente o café, cultura do qual o Brasil é o principal exportador mundial", diz Juliana Dantas.



Conforme relatório do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), em 2019 o Brasil exportou 40,6 milhões de café – na soma de café verde, torrado e moído e solúvel. Isso significou US$ 5,1 bilhões, para o preço médio da saca em torno de US$ 125,49. Esse volume é considerado um recorde, tendo ocorrido um aumento de 13,9% do total exportado no ano de 2018.



O bicho que tira o sono dos cafeicultores



Para entender melhor porque essa pesquisa é tão importante e não pode parar, especialmente numa época em que esse inseto infesta a lavoura, destaca-se que, até o momento, apenas cafezais muito tratados (com pulverização de produto químico) afastam o bicho-mineiro da única cultura que ele se alimenta. "O controle químico preventivo tem se mostrado ineficaz e acredita-se que a praga adquiriu resistência à maioria dos inseticidas utilizados. O controle biológico apresenta limitações na eficiência e durabilidade dos tratamentos", explica Erika Albuquerque. Por isso a aposta em alternativas biotecnológicas para gerar produtos que atendam à demanda de soluções sustentáveis, duráveis e seguras para o controle específico desse fitopatógenos.



Durante o desenvolvimento do projeto – com duração de quatro anos a contar de 2019 - as cientistas da Embrapa vão testar extratos e frações vegetais com o objetivo de desenvolver nanossistemas que integrem e potencializem os efeitos de ativos biotecnológicos selecionados em três estratégias: nanomateriais (que possuem graus estruturais na ordem de 10-9m ou um nanômetro, igual a um milionésimo de milímetro), extratos/frações e RNA interferente (que resulta na redução de expressão e silenciamento de genes).



Segundo Erika, a intenção é gerar um banco de dados do transcritoma (ou conjunto completo de organismo, órgão, tecido ou linhagem celular) do bicho-mineiro, ainda desconhecido. "Isso vai representar um grande avanço do conhecimento sobre esse inseto e permitirá estudos moleculares de genes alvo para controle desta praga. Os ativos gerados (produtos) poderão ser utilizados em conjunto entre si e/ou com outros defensivos como parte de sistemas de manejo integrado de pragas do cafeeiro", explica a cientista.



Para desenvolver um projeto grande e com diferentes "frentes" ou campos do conhecimento, a líder Erika Albuquerque e a colega Juliana Dantas contam com a participação de outros pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, entre eles Rogério Lopes, que trabalha com o delineamento experimental dos bioensaios com os insetos, bem como Luciano Paulino, Eduardo Romano e Thales Rocha.



Lotado na Embrapa Café (Brasília-DF), o pesquisador Carlos Henrique Carvalho contribui na "batalha" contra o bicho-mineiro. Ele repassou à liderança do projeto as sementes de cafeeiro Catuaí vermelho e outras cultivares, bem como a orientação para produção das mudas para a área experimental localizada na Embrapa Cerrados e que conta com a colaboração do pesquisador Adriano Veiga.

A "mãozinha" indispensável dos estudantes da UnB



Os esforços para tirar das lavouras cafeeiras o bicho-mineiro são grandes. Mas há outro aspecto importante para que a pesquisa não pare: o trabalho diário dos estagiários e bolsistas da equipe. A dedicação dos estudantes é significativa do ponto de vista científico e de troca de conhecimento entre os envolvidos. Além disso, é uma mostra da importância da ciência na vida de graduandos e de cientistas em começo de carreira que atum como bolsistas na Unidade.



O estudante de graduação em agronomia da UnB Leonardo Vidal atua no projeto prioritariamente na parte agronômica e molecular. "Paralisar as atividades de forma total não é viável por se tratar de um inseto que tem uma sazonalidade muito alta, sendo encontrado no Cerrado apenas de abril a setembro", comenta Vidal. Ele aponta ainda outra dificuldade: a cultura do cafeeiro tem um ciclo longo, tornando qualquer trabalho com essa planta demorado.



João Bílio, também graduando em agronomia pela UnB e estagiário da a Embrapa Recursos Genéticos na parte de bioensaios das plantas de café em casas de vegetação, observa um ponto interessante para quem trabalha em equipe: "auxiliar os colegas e entender todos os processos da equipe e como cada integrante colabora para um resultado satisfatório é importante", diz o jovem. Evitando usar o transporte coletivo, Bílio faz uma escala presencial na Unidade uma vez por semana. "Fiz um acordo com meus pais que me dão carona para me deslocar até o estágio. Esse trabalho não pode ser interrompido totalmente, pois as plantas necessitam de água constantemente e de cuidados mais específicos – como adubação e reposicionamento do solo - para seu bom desenvolvimento e estamos na época de alta do bicho-mineiro, inseto alvo da pesquisa", explica o estudante.



Isabela de Oliveira Motta, bióloga pela UnB e mestre em Zoologia, na área de entomologia, é bolsista da Embrapa Recursos Genéticos e começou as atividades em março de 2020. Ela está responsável pela parte da biologia da praga, desde criação à identificação dos insetos pela genitália de machos e fêmeas. A presença dela na equipe facilitou a aproximação com o também entomologista José Roberto Pujol Luz, que foi professor de Isabela na UnB, e agora contribui com o trabalho desenvolvido por ela na parte de biologia do bicho-mineiro. "Esse inseto é nosso objeto de estudo e não é possível parar o trabalho justamente neste período em que ele está presente às lavouras", destaca Isabela.



A equipe também conta com a dedicação da estudante de agronomia Camila Junqueira e sua contribuição no que se refere à parte molecular do projeto. "É uma oportunidade de aprendizado durante o período de isolamento. Mas o projeto está em andamento com os devidos cuidados de toda a equipe", enfatiza a estagiária.


Sobre o bicho-mineiro



Esse inseto das folhas do cafeeiro, Leucoptera coffeella, é a principal praga da cultura do café no Cerrado, que inclui o maior produtor de café arábica do Brasil, o Estado de Minas Gerais. O ataque do bicho-mineiro nos cafeeiros causa prejuízos porque as folhas minadas pelas lagartas causam desfolha drástica (até 100%), resultando em prejuízos de até 72% na produção de café. O primeiro ciclo do inseto tem que ser controlado com eficiência para evitar que outros ciclos ocorram ao longo do ano.

O projeto



O projeto liderado por Erika Albuquerque tem quatro anos de duração e está dividido em 5 soluções de inovação (SI), nanossistemas para aplicação e entrega de bioativos, produtos biocidas derivados de metabólitos vegetais; transcritoma do bicho-mineiro; silenciamento da expressão de genes do bicho-mineiro; e validação in vivo da atividade inseticida de ativos potenciais das soluções de nanossistemas.


 

 
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