Campinas/SP - Quarta, 28 de junho de 2017 Agência de Notícias e Editora Comunicativa Ltda.  
 
 
  home
  comunicativa
  profissionais
  publicações
  clientes
  projetos
  entrevistas
  baú de notícias
  clippings
  galeria de fotos
  ensaios
  extra pauta
  cadastre-se !
  contato
Digite a expressão que deseja buscar
Cadastre-se e receba, por e-mail, as últimas do ClickNotícia.


Rua Alberto Belintani, 41
Telefone: (19) 3256-4863
Fax: (19) 3256-9059
CEP: 13087-680
Campinas-SP

 


ENTREVISTA

 

DORIVAL BRUNI  

MUNICÍPIOS INDUSTRIAIS: SOLUÇÃO MAIS ECONÔMICA É PROTEGER MEIO AMBIENTE


Após décadas de agressões ao meio ambiente, os municípios industriais podem reverter esse quadro, se investirem na prevenção de acidentes ecológicos, o que sai mais em conta do que correr, depois, atrás do prejuízo. Leis adequadas e fiscalização eficiente são igualmente importantes, mas toda a luta se dispersa, sem entrosamento dos vários programas de proteção ambiental. Essa união de forças será a proposta da ong Instituto Ambiental Biosfera no Paulínia 2002 – 1o. Simpósio e Exposição Internacional sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável em Municípios Industriais, de 20 a 23 de maio, no Parque Brasil 500, que vai gerar a Carta de Paulínia. O presidente do Instituto, geólogo Dorival Bruni, antecipa aqui alguns dos aspectos do evento.

À esquerda, o presidente do Instituto Ambiental Biosfera, Dorival Bruni. Ao centro, Dorival Bruni ao lado do Prefeito de Paulínia, Edson Moura, e à direita, com o Secretário de Defesa e Desenvolvimento do Meio Ambiente, Washington Ribeiro.


Comunicativa: Qual a importância de Paulínia 2002?
Profº Dorival Bruni: Será uma das maiores oportunidades que o país já teve para discutir seus problemas ambientais.Vamos reunir representantes do governo e da indústria de mais de 300 municípios, além de convidados do exterior, em torno da urgência do desenvolvimento sustentável, que significa, em linhas gerais, atividade industrial sem danos ao meio ambiente.

Por que Paulínia vai sediar o simpósio?
– Escolhemos Paulínia, porque, dos municípios industriais brasileiros, é um dos mais afetados pela poluição. Sua realidade é grave, a ponto de se comparar com Cubatão, mas esperamos que não chegue a tanto. Lá, observa-se que a consciência ecológica aumenta, embora a passos lentos, mas que também só se investe na prevenção, se as autoridades pressionarem nesse sentido. Graças à presença de importantes empresas, o PIB de Paulínia é elevado, em relação ao dos demais municípios brasileiros, e as indústrias preocupam-se, de fato, com o lado social, com destaque para a educação. No entanto, continuam poluindo e afetando a saúde de todos!”

Já existe consciência ecológica no país?
– Essa mentalidade ainda é bastante recente no mundo inteiro, mas à medida que os recursos naturais se vão esgotando, o homem começa a entender que também ele faz parte da natureza. Essa mentalidade apenas agora começa a mudar no país, onde a industrialização chegou há cerca de 60 anos, apenas.Temos, hoje, cerca de 10 mil médias e grandes empresas – a maioria, sem avaliar, devidamente, sua interferência no meio ambiente. O empresário dedica-se à produção como se isso fosse tudo, mas esquece que os resíduos afetam a saúde da população. Assim, quando ocorre algum acidente ecológico – e desde que as autoridades pressionem –, esse empresário sente no bolso o preço da própria negligência. Ou seja, ele prefere remediar a situação a investir na prevenção.

Como entender que uma indústria invista em vários melhoramentos da cidade, mas ignore o principal deles, que é a proteção ambiental?
–Essa é uma pergunta que o mundo inteiro se faz, mas alguns países, como a Alemanha, já tomam providências para coibir predadores do meio ambiente. Nós caminhamos num misto de indiferença social e tolerância estatal que retardam atitudes importantes.

- Qual a proposta do Instituto para o simpósio?
–Vamos defender a criação do Conselho Gestor do Meio Ambiente, de caráter normativo, e do Centro Nacional de Prevenção de Desastres Ambientais, para treinamento e capacitação de profissionais de indústrias e de órgãos públicos, além de universitários e de ativistas das Organizações Não Governamentais. Entendemos como igualmente importantes a coordenação das várias frentes de combate ao desrespeito ambiental e a autonomia de cada um de nós para fazer a sua parte.

Como vai funcionar o Centro?
– O Centro Nacional de Prevenção de Desastres Ambientais, se criado, vai mobilizar, de início, órgãos públicos ligados à defesa civil, ao meio ambiente e à saúde, e a prioridade de estudo será o segmento de papel e celulose, altamente poluidor, mas se estenderá, em seguida, a química, petroquímica, petróleo, gás, mineração, têxtil e tintas. Pretendemos, ainda, transformar a prevenção de desastres ambientais numa pós-graduação lato sensu, ao alcance de todos. Com isso, o conhecimento não ficará limitado apenas a estudantes de áreas correlatas, mas a todos os interessados. Conforme avançar a consciência ecológica, mais e mais pessoas vão se envolver com essa questão.

A nossa legislação ambiental é boa?
–Sim, é tecnicamente muito boa, mas interessante observar que a nossa Constituição Federal dedica um capítulo inteiro à proteção ambiental. É uma das quatro em todo o mundo com esse tipo de preocupação. Na da Inglaterra, por exemplo, não há nenhuma referência a ecologia. Falha deles? Não! É que, lá, por tradição, cuida-se da natureza com respeito e grande senso de conseqüência, enquanto aqui precisamos de leis para nos lembrar de dever tão básico.

Em que regiões do país há maior consciência ecológica?
–Ela é mais evidente nas indústrias do Sul e Sudeste. Nesses locais, não conta apenas a pressão jurídica, mas também a necessidade de ganhar mercados. A proteção ambiental é um dos atuais critérios para a concessão do ISO14000 – a tão almejada qualificação internacional que não dá apenas prestígio, mas facilita o ingresso e a participação da indústria noutros países. Assim, hoje mais que nunca, é importante ser “ecologicamente correto”. Do contrário, a indústria amarga um isolamento que pode até inviabilizá-la.

Mas pode-se prever que essa consciência vai ganhar corpo brevemente?
– Parece que sim. Há evidências nesse sentido. Alguns anos atrás, por exemplo, um grupo japonês, que jamais havia sido punido em seu país por danos ao meio ambiente, pretendeu comprar terras na Amazônia para extrair madeira. O governo brasileiro barrou sua entrada aqui, porque se informou a tempo sobre o comportamento predador daquele grupo nas florestas da Indonésia e da Malásia, praticamente extintas. O mesmo, infelizmente, não ocorreu nos anos 70, quando uma famosa mineradora holandesa poluiu os rios de Rondônia, apesar de ser uma empresa exemplar na Holanda. Aqui, por falta de legislação, de fiscalização, de firmeza das autoridades e do reclamo popular, ela atuou impunemente.

Cite, por favor, outras evidências.
–Bom, uma é a criação de um novo ramo do direito, o ambiental.Outra é que vamos investir cerca de US$ 20 bilhões, nos próximos 10 anos, na modernização tecnológica, produtos e serviços para minimizar resíduos industriais. Esse é um dado importante, embora outros países com mais recursos e maior consciência ecológica estejam bem à frente. Um exemplo é o Japão, que investe anualmente cerca de US$ 5 bilhões. Outro, os Estados Unidos, que destinam US$ 10 bilhões/ano à prevenção de desastres ambientais. No Brasil, se investimos US$ 500 milhões, é muito.

E o reclamo popular em favor da ecologia já é uma força de pressão importante?

– Sem dúvida. As populações mobilizam-se cada vez mais em defesa da natureza, as ongs ecológicas proliferam e têm credibilidade popular, além de prestarem ajuda efetiva nessa área, e a quase totalidade dos municípios conta, hoje, com uma curadoria ambiental. Essa formação da consciência ecológica começou nos anos 70, com a projeção dos “verdes” na política, a partir da Alemanha, para a Europa e Estados Unidos. Entre nós, mesmo há duas décadas atrás, a ecologia era associada a esoterismo ou coisa que o valha. À medida que aqueles ativistas mostravam um discurso conseqüente e partiam para ações concretas, ganhavam, em contrapartida, respeito, e muitos deles elegeram-se como legítimos representantes populares.

De maneira geral, as pessoas já entendem que também elas fazem parte da natureza?
– Acredito que sim. Elas já sabem que o meio ambiente as inclui igualmente e que um simples desequilíbrio na harmonia entre progresso e natureza pode afetá-las de maneira desastrosa. Um ótimo exemplo de como a sociedade pode fazer valer suas reivindicações foi o que aconteceu nos Estados Unidos, através de uma série de ações judiciais durante a década passada. Os hospitais da Flórida, preocupados com a alta incidência de males provocados pelo cigarro, calcularam seus gastos com esses pacientes e entraram na Justiça com pedido de indenização de US$ 50 bilhões à indústria do fumo. Venceram. Hoje, a economia ambiental – ciência das mais recentes – calcula débitos desse tipo, ou seja, ela quantifica os prejuízos, o passivo ambiental.


 


  • ALFRIED PLÖGER -1/6/2001
  • LUIZ ANTONIO FERNANDES -19/2/2002
  • DORIVAL BRUNI-18/4/2002
  • NEI LOPES-19/9/2002
  • MONARCO DA PORTELA-4/10/2002
  • NELSON SARGENTO-18/10/2002
  • RODRIGO BAGGIO-6/8/2003
  • LUIZ GRACIOSO-17/9/2003
  • JUREMA ESTEBAN-22/9/2003
  • BRUNO WILHELM SPECK-19/11/2003
  • SIMONE MENEZES-17/12/2004
  • Nazareno Stanislau Affonso-11/8/2005
  • GUILHERME DE BRITO-27/4/2006
  • SÍLVIO SAIDEMBERG-9/10/2006
  • CELSO PIXINGA-26/1/2007
  • MARCOS FROTA-1/10/2009
  • Entrevista com Philippe Descola -12/8/2011
  • ALMINO AFFONSO-14/10/2014
  • LÉA ZIGGIATTI -02/03/2016-2/3/2016

  •    Clicknotícia® by Comunicativa    Política de Privacidade Desenvolvimento: Webcompany®